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manifesto

NÓS CRESCEMOS.

O PLANETA NÃO.

30 de outubro de 2026

Há cem anos, éramos 2 bilhões. Hoje, passamos de 8. A casa é a mesma.


Produzimos, embalamos, transportamos e descartamos do jeito que funcionava quando éramos poucos. Não por maldade: por hábito, porque durante décadas essa conta ficou fora da mesa onde as decisões são tomadas.


E todos fazemos parte disso: profissionais, consumidores, empresas. Não existe um "eles" e um "nós" do lado certo da história.

Algo tem que mudar. Não tudo.

Não por culpa de ninguém. Não por malícia de empresas. Não por consumidores irresponsáveis. Mas pela nova realidade.


Não pedimos para ninguém abrir mão do que é bom. Muitas vezes, pequenos ajustes fazem grande diferença. Mudar para continuar cabendo, com mudanças possíveis e ganha-ganha. Sem ecochatice.

De onde viemos.

O Insustentáveis nasceu como um grupo anônimo de profissionais de sustentabilidade. Conversas fechadas, sem palco e sem plateia, espaço seguro para admitir dúvidas e fragilidades que, em eventos abertos, poderiam trazer consequências.


Nessas conversas, uma constatação se repetiu: a força para mudar as empresas raramente está nas mãos dos profissionais de sustentabilidade. Eles têm conhecimento, dados e boas propostas. O que falta é vento a favor.


Na opinião de quem participou, as empresas respondem muito melhor a incentivos e pressões externas do que a argumentos internos. E o vento que move empresas costuma soprar de fora: do mercado, dos clientes, da sociedade.


Isso não é uma acusação. A maioria das empresas (e governos) simplesmente não foi estruturada para ser proativa em sustentabilidade. Metas, incentivos e rotinas foram desenhados para outras prioridades.

A nova etapa.

Então saímos da sala. Decidimos soprar nós mesmos o vento da mudança.


Agora compartilhamos em público o que observamos. Mostramos o que vemos, explicamos por que importa e, quando possível, sugerimos como poderia ser diferente.


Não queremos prejudicar uma ou outra empresa. Queremos subir a barra de todas, ao mesmo tempo. Quando o mercado inteiro sobe, ninguém fica em desvantagem por ter feito o certo primeiro.


As conversas fechadas continuam. O grupo segue disponível para tratar assuntos delicados levantados por profissionais de sustentabilidade, e o que é dito ali continua ali.

Vamos começar pelas embalagens.

A embalagem reflete nossos hábitos e define comportamentos. Ela programa o consumo, influenciando o que compramos, como armazenamos, como preparamos, quanto usamos e quanto desperdiçamos.


Mesmo assim, a maior parte das métricas de embalagem olha só para o material: se é reciclável, reciclado, mais leve. Quase nunca para o que ela programa: o produto que fica no fundo, a dose maior que a necessária, se cozinhamos no forno a gás ou no micro-ondas, se guardamos na geladeira ou no freezer, quanta louça lavamos. E, em muitos casos, essa programação é muito mais relevante para a sustentabilidade do que os próprios materiais de embalagem.


A embalagem certa ajuda. Mas quando erra, ela atrapalha, ela peca contra o nosso futuro.


Para levar essa programação à mesa onde as decisões são tomadas, criamos os Seis Pecados da Embalagem: uma lista aberta de pontos de atenção que levanta a bola para as discussões que costumam escapar das métricas. Não são regras fechadas nem um teste de aprovação: são um ponto de partida para quem entende de embalagem, consumo e sustentabilidade olhar além dos materiais, de forma mais pragmática. Como as embalagens estão à vista de todos, a prateleira é o lugar ideal para começarmos uma conversa pública.


Nossa nova meta: a embalagem que não peca.

coMo trabalhamos.

Nossas análises são olhares, não sentenças. Pegamos uma embalagem que está no mercado e, a partir das observações de quem a avaliou, dizemos o que pensamos dela em cada um dos Seis Pecados.

 

Observações, não vereditos: cada análise parte do que o avaliador percebeu ao comprar, usar, guardar e descartar a embalagem. São leituras de quem olhou com atenção, não verdades universais.

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Para abrir a discussão, não para manchar reputações: apontamos o que pode ser relevante para que a conversa aconteça. O alvo é a prática, nunca a marca.

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Caminhos construídos juntos: oferecemos sugestões, mas, na maioria dos casos, as soluções estruturais são complexas e precisam ser discutidas. Para isso, o Insustentáveis fica à disposição de empresas interessadas em buscar caminhos junto com a gente, no formato que nos originou: conversas fechadas e francas, de onde saem insights positivos e transformadores.

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Espaço para a marca: as marcas podem se manifestar sobre qualquer análise. E serão bem-vindas. Sabemos que nenhuma marca é perfeita, muito menos nós. Só olhando de frente o que ainda não está ideal é que dá para melhorar. Não queremos cancelar ninguém. Queremos conversar.

o que não somos.

Não somos caçadores de culpados. Não é culpa de ninguém em particular: a realidade mudou. Chegamos aqui juntos. A pergunta que importa é o que fazemos a partir de agora.


Não somos inimigos das empresas. Somos amigos. Do tipo raro, que fala o que precisa ser dito mesmo quando dói, porque quer ver todo mundo dando certo junto.


Não somos ecochatos. Não pregamos sacrifício nem damos sermão. Buscamos ajustes que fazem sentido para quem produz e para quem compra.


Não julgamos intenções. Analisamos embalagens que estão no mercado, não pessoas, nem os motivos de cada decisão. Muitas vezes, o que apontamos em uma embalagem vale para toda a categoria.


Não somos solução pronta. Somos laboratório. Nosso jeito de olhar as embalagens evolui com a prática e com as conversas.

Vamos conversar?

Nosso objetivo é um equilíbrio: a prosperidade dos negócios e a plena realização dos 8 bilhões de hoje e dos 10 bilhões que poderemos ser, dentro dos limites do planeta.


Para as empresas: convidamos vocês a encarar nossas análises como a voz de um amigo franco. Se quiserem, respondam, discordem, mostrem o que já estão fazendo.


Para os profissionais de sustentabilidade: esperamos que os Seis Pecados sejam um vento a favor e um aliado nas suas jornadas. Críticas construtivas são muito bem-vindas. E, se quiserem um espaço seguro para conversas francas, participem do grupo.


Para os consumidores: vocês estão no centro de tudo. É no dia a dia de quem compra, guarda, prepara e descarta que a embalagem mostra o que funciona e o que não funciona. Queremos ouvir o que vocês percebem, com o que concordam e do que discordam nas nossas análises. Aos poucos, vamos abrir espaços para essa troca. Sua perspectiva é transformadora.

A casa é de todos. O ajuste também.

insustentáveis. inconformados. construtivos.

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